No esporte de alto rendimento, o placar nem sempre conta a história inteira. Às vezes você ganha um jogo, mas sai dali com a sensação de que poderia ter feito melhor. E às vezes acontece o contrário: você perde, mas sente que fez um grande jogo!

Na esgrima isso acontece muito. Já tive combates em que ganhei simplesmente fazendo o básico. Disciplina tática, o arroz com feijão. Fiz o que precisava ser feito e venci. Mas não foi aquele combate em que você sente que jogou brilhante ou se divertiu. Foi eficiente no último momento. E, no esporte, isso muitas vezes já é suficiente.
Também já vivi o contrário. Na última Copa do Mundo em Turim, por exemplo, ganhei um combate difícil por 15–13 contra uma alemã. Foi uma batalha. Não senti que estava jogando bem, mas consegui encontrar o caminho para ganhar. E isso também faz parte do jogo.
Por outro lado, já tive competições em que perdi, mas saí feliz. Fiz bons combates, executei o que eu tinha treinado e senti que entreguei o meu máximo. O resultado não veio, mas houve evolução.
Quando eu era mais nova, meu treinador falava algo que sempre me marcou:
“Você jogou bem… mas perdeu.”
Na época isso me incomodava. Hoje eu entendo melhor. Jogar bem e ganhar nem sempre acontecem ao mesmo tempo.
Com o tempo, você também percebe outra coisa: atletas costumam exigir muito de si mesmos. Às vezes até quando vencemos ficamos procurando defeitos, analisando o que poderia ter sido melhor. Mas uma vitória de verdade não é só o resultado no placar. Hoje, para mim, vitória é quando eu consigo atingir os meus objetivos dentro do combate: executar o que treinei, manter a disciplina tática e entregar o meu máximo.
O resultado importa, claro. Mas ele não é a única forma de medir evolução. Para quem está começando no esporte, vale lembrar: nem toda vitória vai parecer uma grande vitória. E nem toda derrota significa que você não evoluiu. Às vezes o maior avanço acontece justamente nos combates que quase deram certo.
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