Existe uma ideia muito comum no esporte de alto rendimento: depois dos 30 anos, a carreira começa a desacelerar. Ou você já ganhou tudo, ou está perto de parar. Eu mesma achava isso quando era mais nova.

Mas, vivendo essa fase, percebi que o que muda não é a ambição. É a forma de competir.
Quando eu tinha 18 anos, queria fazer tudo. Treinar mais, repetir mais, resolver tudo na intensidade. Muitas vezes, fazer mais parecia automaticamente fazer melhor. Com o tempo, você entende que não é assim. Depois dos 30, a diferença está na escolha. Você começa a treinar com mais critério, a entender o que realmente impacta sua performance e a economizar energia para o que importa.
Essa mudança não é física apenas. É mental.
A maturidade traz uma gestão emocional diferente. Você aprende a não desperdiçar energia com coisas que não controlam o resultado: opinião externa, comparação, erro isolado, imprevistos de competição. Isso não significa que nada afeta você, mas significa que você reage diferente. E essa diferença aparece na pista. Esses dias eu pensei nisso vendo atletas acima dos 30 competindo em alto nível, como a Federica Brignone no esqui, voltando de lesão e performando sob dúvida externa. Isso reforça que maturidade pode ser vantagem competitiva.
Outro ponto que muda é a relação com o tempo. Depois dos 30, você sabe que está mais perto do fim da carreira do que do começo. Isso não gera pânico, mas gera consciência. Cada competição passa a ter um peso diferente, não pela pressão, mas pela presença. Você entra sabendo que aquela oportunidade é real, agora, e que não faz sentido adiar entrega. Por isso, a vontade é ainda maior pois o sonho não está mais no futuro , e sim no agora.
A ambição continua ali. Eu continuo querendo ganhar. Mas hoje a motivação é mais ampla. Não é só sobre a medalha que vai ficar na parede. É sobre construir uma trajetória consistente, sustentável e inteligente. É sobre longevidade no esporte e sobre o que essa carreira representa.
Para muitos atletas e pais, existe a dúvida: dá para evoluir depois dos 30?
Na minha experiência, sim. Mas não porque você fica mais forte fisicamente. E sim porque você começa a entender melhor o que realmente faz diferença. Quando eu era mais nova, eu treinava muito. Às vezes mais do que precisava. Achava que volume era garantia de resultado. Hoje eu sei que não é assim. Se eu tivesse tido a inteligência que tenho hoje, talvez tivesse economizado energia, evitado desgaste e até performado melhor em alguns momentos. Mas tudo é aprendizado! Depois dos 30, você começa a perceber que alta performance não é sobre fazer mais do que todo mundo e sim sobre fazer o que realmente importa, com qualidade e intenção. Com mais clareza, mais estratégia e mais responsabilidade sobre a própria energia.
No alto rendimento, maturidade não é limitação. Pode ser vantagem.
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