Você já passou semanas treinando bem, sentindo que estava preparado para uma competição, mas, quando chegou o dia, nada saiu como esperava? Eu já vivi isso muitas vezes. E também já passei pelo contrário: semanas em que os treinos não estavam bons, mas eu chegava à competição confiante de que conseguiria jogar bem.
Durante muito tempo, tive dificuldade para entender por que isso acontecia. Afinal, se eu estava fazendo tudo certo nos treinos, por que não conseguia repetir o mesmo desempenho na pista?
Na esgrima, às vezes a vontade de ganhar é tão grande que começamos a ter pressa para fazer o ponto. Queremos tocar logo, resolver o combate, confirmar que estamos jogando bem. E essa pressa pode atrapalhar justamente aquilo que fazemos naturalmente durante os treinos.
Quando eu era mais nova, meus treinadores também ficavam frustrados. Eles conheciam meu potencial, viam o que eu conseguia fazer nos treinos e não entendiam por que aquilo nem sempre aparecia nas competições. Hoje consigo olhar para essas situações de outra maneira.
Cada atleta reage de um jeito à pressão. O que funciona para uma pessoa pode não funcionar para outra. E isso é algo que levo muito a sério no meu trabalho como treinadora mental. Não posso tratar todos os atletas da mesma forma e esperar os mesmos resultados. Preciso entender quem está na minha frente e como posso ajudar aquela pessoa a encontrar seu melhor desempenho.
E isso vale também para os pais. Às vezes, uma reação que parece pequena, como um olhar, um comentário ou uma expressão de frustração, pode ter um impacto muito maior no dia da competição. Não significa que alguém tenha feito algo errado de propósito. Mas, naquele momento, o atleta pode interpretar tudo de uma maneira diferente. E essa reação também muda conforme ele amadurece e ganha experiência.
Hoje, quando tenho uma semana difícil de treinos antes de competir, não fico necessariamente preocupada. Já passei por isso tantas vezes que aprendi a confiar na minha preparação. Durante os treinos, me coloco em situações desconfortáveis, trabalho dificuldades específicas e me desafio justamente para estar preparada quando elas aparecerem na competição.
Essa confiança não vem de uma semana perfeita. Vem de tudo o que construí até ali.
Por isso, acredito que precisamos aprender a encarar os treinos com a mesma responsabilidade que temos nas competições. Se o atleta só experimenta aquela pressão no dia do campeonato, tudo parece maior do que realmente é. Mas, quando aprende a competir também durante os treinos, começa a se familiarizar com aquelas situações.
No final das contas, quando chega a competição, eu não preciso provar que treinei bem naquela semana. Preciso confiar no trabalho que fiz e jogar.
Porque a preparação já aconteceu. Agora é hora de colocar em prática.

